Do online ao live.

(Texto originalmente publicado na Revista Flop de ago/set/2015, sem a edição e correções do Ari Aguiar.)

“Faz algum tempo que eu simplesmente me apaixonei pelo jogo ao vivo, para mim que conheci o Poker e joguei por muito tempo somente online, ainda é uma coisa totalmente nova e cheio de aprendizado.

A cada torneio ou conversas sobre Poker, vem tópicos novos falando de características do jogo ao vivo, como potencializar a leitura de pessoas, de ranges, como deixar seu foco a mil já que está em apenas uma mesa e não nas dezenas do jogo online.
Sempre que possível, eu falo nos artigos que Poker é um jogo de pessoas, as cartas estão lá para dar a graça da filada, também precisamos definir o nosso range, dos adversários, quanto mais conhecemos aqueles que estamos jogando contra nós, melhor vamos fazer. Não sei o número exato mas a grande maioria dos jogadores que compõe o “field” são de jogadores recreativos, 90% talvez?! Então vamos pensar um pouco mais neles.
Hoje em dia estou jogando live sempre que tenho oportunidade, às vezes duas ou três vezes por semana e tive a oportunidade de conhecer muita gente bacana, fazer algumas amizades e ser alvo de escutar parada em alguns breaks, como é mais que normal. A maioria das pessoas que jogo, como disse, uns 90%, são de jogadores recreativos, que estão ali por puro divertimento. Como qualquer ‘moleque’ que estava vindo do online, a primeira coisa que pensei foi “oba, um monte de tio para eu fazer ficha”. Vim com esse estereótipo na cabeça e como qualquer estereótipo e generalização causa mais dor de cabeça do que exito. Com o passar dos torneios, fui percebendo que mesmo alguns deles nunca tendo aberto um livro de poker, assinado uma escola de Poker, às vezes eles causavam problemas na mesa da mesma maneira como os “estudiosos” do online, eles tinham qualidades que faziam ganhar um ou outro torneio, colocar a gente na porta em alguns boards “catrupes” e por assim vai. Fiquei pensando: se não acreditamos em “feeling” e eles não estudam, como alguns deles podem jogar bem ?! Depois de um tempo pensando nos motivos cheguei a conclusão que eles tem até algumas vantagens sobre o jogador dito ‘regular’, que está lá na mesa em busca do seu ganha pão. Perceber e entender essas pessoas e os motivos que as levam a jogar um torneio bem, me fez jogar melhor contra elas, separei alguns pontos que servem de reflexão eu que às vezes esquecemos:
Pressão do dinheiro – A maioria dessas pessoas que jogam, já são bem sucedidas na vida, tem seus negócios. O dinheiro por mais que seja dinheiro, não vai fazer falta na vida delas, é algo que foi separado para a diversão, para o hobby. Diferentemente de quem está começando agora na vida de modo geral, que tem pressão de contas a pagar, de que venha algum resultado. Não é raro a gente ver pessoas literalmente limpar o bankroll para jogar um torneio e qual a chance dessa pessoa jogar bem?! Com certeza bem menor do que aquele que está despreocupado e só está em mais um dia de diversão. Sem falar que para muitos ainda há a pressão de “não fazer feiura” ao contrário de alguns recreativos que primeiro não sabem que estão fazendo uma barbaridade, segundo, não estão nem ai.
Regular não tão regular – Assim como para alguns o hobby de quarta feira é o futebol com os amigos, o do final de semana o churrasco em família, vi que tem jogadores, mesmo que recreativos que jogam todo santo torneio e há um bom tempo! Conheci pessoas que jogam a mais de 5 anos o mesmo torneio. Bom se ela não aprende o caminho das pedras por um coaching ou escola de Poker, algumas delas aprenderam o caminho da maneira mais dolorosa o possível, na tentativa e erro. De tanto jogarem, de uma forma indutiva sabem de algumas coisas que dão certo e outras que dão errado. Sem o embasamento técnico, óbvio que, vão errar mais do que acertar, mas acabam acertando em uma frequência que as fazem chegar na reta final de algum torneio, sem contar com aquela ajudinha do baralho que sabemos que não podemos contar mas vem de vez em quando.
Experiência de vida – Às vezes até de forma pejorativa, nos referimos a alguém como “tiozão” nas mesas, geralmente aquele senhor mais velho que faz um monte de baralhada. O que esquecemos é que essas pessoas podem ser grandes empresários, empreendedores que mesmo não dominando a técnica de algumas jogadas, dominam pela sua experiência de vida requisitos básicos para ser vencedor no Poker como coragem, raciocínio lógico, competitividade e na minha opinião o mais importante: algumas dessas pessoas conhecem e sabem lidar muito bem com outras pessoas, reconhecendo rapidamente suas tendências e sabendo colocar pressão no lugar correto.
Diversão – Como disse já nos parágrafos anteriores: o que para um é trabalho para a imensa maioria é simples diversão! Enquanto o jogador regular está lá na mesa fazendo um monte de notas mentais, colocando cada jogador em um range, o recreativo está lá literalmente brincando na mesa, se divertindo e usando aquele momento como um passatempo, onde esquece dos problemas do trabalho, está movido mais a adrenalina do que qualquer outra coisa. Cada pote ganho é uma alegria, raramente pensa se utilizou o size correto ou se poderia ter jogado a mão de uma maneira melhor. Ele não tem nenhum peso, não tem compromisso com nada e ninguém. Só quer terminar o dia, se tiver um pouquinho de sorte, com um troféu na mão.
Esses são só alguns pontos de uma infinidade que existe nas mesas de Poker, entender os motivos que levaram aquela pessoa até a mesa de Poker é uma das variáveis na hora de colocar a pessoa em um range por exemplo. Toda teoria que estudamos, toda a biblioteca de mãos que criamos em nossa mente, só faz sentido se sabermos exatamente contra quem jogar e como jogar. Masterizar a teoria do Poker também é masterizar como as pessoas pensam e para isso precisamos entender quem são elas, o que fazem da vida, o que acham de determinada situação etc. Imagine o seguinte cenário: bolha de mesa final do PCA, quem vai sentir mais a pressão do dinheiro?! Um jogador em busca de resultados ou um alto executivo que está ali pela simples alegria de ver um flopinho?!
Por isso acho bacana na mesa conversar o tempo todo com pessoas, particularmente não gosto de fone de ouvidos, raramente usei. Quanto mais informações tivermos, quanto mais sabermos daquela pessoa que está do outro lado da mesa, melhor vamos montar o quebra cabeça que é uma mão de Poker e assim teremos mais exito.”
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