Prestando atenção no jogo ao vivo

(Texto originalmente publicado no Blog Oficial do PokerStars em 6/8/2015, link original )

 

Cada vez mais me apaixono pelo jogo live… Ano passado, alguns torneios como os que disputei no EPT só fizeram aumentar esse gosto. Esse ano, com menos viagens internacionais, a espera pelos torneios grandes do circuíto, como o BSOP, sempre é carregada de ansiedade e um bom tempo de preparação entre um torneio e outro.

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Ivan “Ban” Martins

Algo que se fala bastante no jogo ao vivo é sobre tells. Há livros famosos sobre o assunto e quase todo mundo tem uma história onde ganhou a mão por um comportamento inconsciente do adversário. A verdade é que muitos tells são mais glamura de livros ou de cena de filme do que qualquer outra coisa. Isso quer dizer que eles não existem? Claro que existem e aos montes! Mas no lugar de tentar ver aquela pupila dilatada que nunca ninguém viu, há alguns tells que são tão visíveis que mãos podem ser decididas por causa deles. Separei um que gosto bastante e raramente vejo alguém falar dele. Para ser sincero, a primeira vez que vi sobre foi em um dos cursos aqui no QG Akkari Team em uma das atividades em grupo.

Voltando para os princípios básicos do poker, você recebe duas cartas, há algumas rodadas de apostas e se for o caso existe o showdown. Mas e depois? O que acontece depois do showdown? A resposta mais óbvia é que as fichas vão para o lado do jogador vencedor e bora para a próxima mão, né?

Algo que poucas pessoas reparam é a reação das pessoas ao término da mão, aquele momento em que o dealer está empurrando as fichas em direção ao vencedor e as pessoas respiram mais aliviadas e normalmente começam a falar um monte sobre a mão que acabou de acontecer. Quem estava de fora especula o que os jogadores envolvidos poderiam ter na mão ou sobre qual linha adotou. Quem estava envolvido na mão demonstra felicidade ou tristeza e nem sempre é respectivamente quem ganhou e perdeu a mão.

Existe um exemplo clássico de uma mão que envolve o Phil Ivey e o Max Steinberg. Ao chegar no river, esperando que Max blefe sua mão, Ivey da check e o mesmo faz Max. Ivey puxou a mão mas fica visivelmente chateado por não ter apostado no river, deixando de extrair valor. Ganhou a mão e não ficou contente. O contrário aconteceu com Max, que perdeu a mão mas saiu com um sorrisão por não ter perdido ainda mais fichas, ficou feliz por ter perdido pouco.

Não é só a reação específica ao término da mão, mas pense em tudo aquilo que é falado no final. Sempre tem aquele jogador que mais parece um comentarista ou até mesmo um entrevistador de tv e fica lá falando da mão. Ser extrovertido e conversar bastante na mesa pode não ser caraterística sua, mas você pode se aproveitar de quem está fazendo isso na mesa. A cada explicação de uma jogada, a cada pergunta sobre a razão de ter apostado X, ter apostado em um board XYZ, etc… São informações a mais na hora de você montar o quebra cabeça que é uma mão de poker quando for jogar contra aquele jogador. Vai saber como ele pensa em determinada situação, e se ele não for muito malandro, o que ele palestrou um tempo antes, quando chegar a vez dele, ele irá repetir. Estará apenas jogando suas cartas e nem vai mais lembrar que contou em detalhes como pensa uma certa mão de poker.

Prestar atenção na mesa, antes, durante e depois de uma mão, só vai ter ajudar na coleta de informações. Se não estiver envolvido na mão, nem tudo está perdido. Pelo contrário, é um excelente tempo para colocar as pessoas em range, olhar para a reação das pessoas… Você estará envolvido na mão em terceira pessoa, só ganhando informações sem investir nada. Por isso o foco nas mesas é muito importante! Tudo que acontece conta, tudo que acontece pode ser usado a seu favor no futuro.

No live, as distrações são inúmeras: outras mesas, celular, revistas, música… Tente se livrar dessas tentações e foco total na mesa!

Abraços,
Ban!

Com ritmo de jogo, os resultados aparecem

(Texto originalmente publicado no Blog Oficial do PokerStars em 6/7/2015, link original)

 

Junho foi um mês muito bom de grind. Coloquei um volume excelente no online, com muitas mesas finais e cravadas. No live não foi muito diferente, trouxe três troféus para casa: dois de campeão e outro de segundo lugar. Por sinal as cravadas foram em grande estilo, um High Roller cravado na segunda-feira e outro cravado na terça, “back to back”!

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Ivan “Ban” Martins

Esses resultados e o volume vieram em grande parte devido ao ritmo de jogo. Fazia tempo que não mantinha uma rotina tão disciplinada e forte! Tenho começado a jogar cedinho, às vezes o dia nem clareou e já tem as primeiras retas finais do dia e isso foi algo que gerou bastante perguntas, seja de melhor horário para jogo ou por que escolhi esses horários. Afinal, desde sempre houve aquele estigma que jogador de poker é um pouco parecido com jogador de futebol, não funciona antes das onze da matina!

Houve alguns motivos para eu escolher esse horário e é uma questão muito pessoal, mas pode servir de orientação para quem está se adaptando. Não adianta você copiar o horário ou a grade se isso não for o melhor para você, não tem receita nem fórmula, quem vai escolher o melhor no final é só você.

Uma das primeiras coisas que me levou a mudança de horário foi uma conversa que tive em um dos torneios live. Encontrei um excelente jogador de Ring Game que não está muito habituado com torneios e ele me perguntou sobre a qualidade de vida, sobre como era fazer sessões quase que obrigatórias de 10 horas e estar sempre se preparando para o pior. Afinal em fields gigantescos, por maior que seja o edge, não é fácil cravar. Bom, fiquei pensando bastante nisso e comecei a reparar na rotina antiga: acordar, comer, grind por longas horas e a hora que via já era onze da noite. Antes da session começar dava aquela preguiça de ir para a academia por exemplo, quando a session terminava já estava até tarde para curtir as coisas de casa. Conclusão: ficava até tarde assistindo um seriado ou grindando vídeos de poker. O primeiro passo foi em um day-off ir dormir mais cedo. Não adiantava dormir tarde e colocar despertador, como a rotina é sempre puxada uma noite de sono é pré requisito indispensável, fui dormir lá pelas onze da noite, não coloquei despertador nem nada e puft… Quatro da manhã estava de pé! E como quem está na chuva é para se molhar, levantei, comi alguma coisa e comecei o grind. Parei de me registrar no meio da tarde e ainda tive tempo de sobra para ir para a academia com a esposa e sair para jantar. Foi o suficiente ao menos para ver que estava aproveitando melhor alguns aspectos da vida pessoal e quanto melhor você se sente fora das mesas, melhor se sairá nelas.

O segundo ponto que me deixou desconfiado no começo foi o aspecto da grade de torneios. Desde o dia que entrei para o Akkari Team e comecei a levar o poker como profissão, sabia que a reta de torneios que começam lá pelas 13:00 é a melhor reta, tem os melhores The Big, os garantidos maiores etc… Felizmente a oferta de jogos nesse horário para mim é excelente, pego pelo menos três The Bigs, quando começo mais cedo pego o $16,5, o $33 e $44… Quando começo um pouco mais tarde pego o $33, o $44 e paro no The Big $22.

O field também conta muito, como cada canto do mundo está – obviamente – em um fuso, sempre haverá jogadores regulares e recreativos. Mas nessa hora do dia a proporção de regulares é menor, deixando o field mais soft. Um fato que tem seu lado bom e seu lado ruim é o tamanho do field, que nesse horário é bem reduzido. O lado ruim é que isso reflete na premiação que será relativamente menor, a chance de uma forrada das grandes diminui. Já o lado positivo é que chegamos em retas finais com maior frequência, a variância é menor! Fica um trabalho bem mais de formiguinha, mas para mim que estava vindo de uma fase não tão boa, ajuda e muito.

Fora o aspecto pessoal que só você vai saber da sua rotina, isso da grade é muito importante, se você joga torneios até $11 por exemplo, esse não é o melhor horário, por que parte do seu volume vai vir dos SnG’s que completam a reta e o melhor horário para formar os sits é durante à tarde. Se você ainda está nessa fase de construir bankroll, como vai jogar mais SnG que torneios pode fazer naturalmente sessions menores, os Sits Turbo de 180 pessoas raramente batem 2 horas e os regulares 4 horas, então dá para se adaptar facilmente, já que eles são o núcleo do seu grind.

Não foi por acaso que mudei algumas coisas e sempre fiquei atento ao que os jogadores mais experientes fazem, corrigindo um erro aqui e outro ali vamos chegando aos nossos objetivos!

Espero que ter compartilhado esses detalhes extra-mesas (mas que fazem toda a diferença nelas) ajude de alguma maneira no dia a dia de vocês! Ahhh… agora em julho será uma época bem bacana para o jogo live, essa semana jogo o CPH, na semana seguinte tem LAPT Peru e na outra BSOP… Estou pensando em fazer alguns textos sobre o jogo ao vivo, o que acham ?!

Abraços,
Ban!

diferenças entre ‘live’ e online

(Texto originalmente publicado no Blog Oficial do PokerStars em 2/6/2015, link original)

 

É época de WSOP e todas as atenções estão voltadas para Las Vegas! Para a maioria dos jogadores, o ano se resume em 10 meses de online e 2 meses de puro “live”. É claro que existem outros torneios intercalados, como EPT, LAPT e o BSOP para nós brazucas.

O jogo ao vivo é onde o poker vira uma verdadeira maratona. São vários dias de jogo, normalmente por 10-12 horas, e com o foco em uma mesa, diferentemente do online onde temos 10-12 torneios ao mesmo tempo e às vezes até uns 60 no dia.

Se o poker online é o trabalho de formiguinha do dia a dia, é do “live” que vem a maior adrenalina, glamour, a mesa televisionada, a busca pelo troféu e aqueles gritos da torcida que fazem o poker se assemelhar ainda mais com todos os outros esportes que conhecemos.

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Ivan “Ban” Martins

Semana passada tivemos o BSOP Rio Quente, e nós do Akkari Team fomos em peso. Foi uma festa, com dia 2 e retas finais. E antes mesmo de acabar, já fizemos planos para o próximo torneio e viagens.

Mas agora indo para o que interessa um pouco mais e pensando nos estudos, quais as diferenças do “live” para o online e vice-versa? É uma eterna discussão, e alguns pontos acabam sendo consenso na hora de fazer as adaptações.

Se você joga somente “live” e está pensando em pegar mais pesado nas mesas do PokerStars, a primeira coisa a se pensar é nos torneios que vai jogar. Há uma infinidade de modalidades e formatos, e uma boa seleção antes de começar a jogar é essencial. Se temos menos tempo, vamos aos Turbos, os famosos vermelhinhos (The Big, The Hot, Sunday Million, Sunday 500). São praticamente de lei na reta, afinal o garantido é lá em cima, e com isso vem os fields gigantes e uma maior variância. Se há maior variância por causa do tamanho do field, ela pode ser quebrada com o volume, fazendo sentido aquele monte de torneio que jogamos no dia.

Agora pensando pelo outro lado, de quem quer ir do online para o “live”, lembro das primeiras viagens pelo Akkari Team para os EPTs em 2014. Algo que enfatizamos foi o foco e a postura nas mesas. Saber o que está acontecendo nas mesas ao vivo é relativamente mais fácil, afinal é uma mesa só não é? Nem sempre! Principalmente para quem vem do online e está acostumado com um monte de ‘action’, estar em uma mesa foldando por horas pode ser um convite para perder o foco, ficar mais tempo no celular e a hora que você vê… Puft!!! Acontece justamente o contrário, você está ali na mesa de corpo presente mas o foco está lá nas cucuias… Sem foco não sabemos o que está acontecendo, não notamos as tendências dos adversários, o range atribuído ao adversário vai ser mais ‘chutômetro’ que habilidade e no final vamos estar jogando mais as cartas que recebemos do que a mesa em si, ou seja, uma combinação terrível.

“Live” ou online, o jogo continua sendo o mesmo: um jogo de pessoas em que quem se adapta melhor, vence! Então antes de começar a session online ou aquela viagem para um torneio “live”, pense nas adaptações. Sempre será poker, mas com suas sensíveis diferenças!

Abraços,

Ban

vamos estudar?

(Texto originalmente publicado no Blog Oficial do PokerStars em 23/04/2015, link original )

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Ivan “Ban” Martins

O que estudar:

Conceitos Chaves: A gente sempre bate numa tecla que o poker é um jogo de pessoas e que não existem verdades universais, que uma mesma jogada dependendo do pensamento por trás dela, pode ser certa ou errada. Independente disso, existem muitos conceitos que precisamos entender, dominar e saber a hora precisa de aplicá-los. Raramente vamos fazer cálculos complexos no meio de uma mão ou naquele turn que esquisita o board, mas saber todos os fundamentos de Pot Odds é essencial. Outro exemplo clássico é o famoso ICM, não vamos calcular ele durante uma mão, mas saber seu significado, aplicação e no que sua teoria desenrola é fundamental. Os conceitos no poker são muitos, além dos matemáticos, temos algumas jogadas em si, como a 3bet, o float e até a própria continuation bet que apesar de algo já automático no jogo das pessoas requer um estudo constante, aliado com os outros aspectos do jogo. Dar atenção constante aos conceitos é fundamental!

Tendências atuais: Você já deve ter lido que o poker mudou muito de 2005 para cá, não é? Que o field era muito mais soft – fácil – e que era muito mais fácil ser lucrativo. Mas o que mudou de lá para cá? Uma das coisas que mais mudou foi a disseminação do conhecimento. Anos atrás não existiam as escolas de Poker, os blogs, os vídeos. A parte dos conceitos que citei no primeiro item é muito mais dominada, antigamente algumas pessoas só a tinham de forma indutiva, hoje em dia qualquer um que coloque no Google algo sobre estratégia no Poker já vai achar algo nesse sentido e bem mastigado por aqueles que se lascaram muito para traçar as estratégias e descobrir os atalhos dentro do jogo. Com o jogo evoluindo mais rapidamente, o contra ataque a uma estratégia lucrativa surge mais rapidamente e ganha quem se adapta mais rápido. Antigamente só ter um size bom no pré flop aliado a c-bet já era sinônimo de lucratividade, hoje precisamos nos atentar a todas as táticas e como responder a elas. Vira um verdadeiro jogo de xadrez, pessoas adaptando e se re-adaptando. Por isso, além de estudar o nosso jogo, precisamos também estudar aquilo que está acontecendo ao nosso arredor para nos adaptar mais facilmente. Quanto mais rápido nos adaptarmos mais iremos matar no jogo!

Nos estudar: Não basta estudar o que o field está fazendo, temos que estudar o que nós estamos fazendo e como os outros reagem a isso, é uma parte da tendência do field mas com muito mais desenrolar. Nessa parte dos estudos é fundamental a auto crítica, por que além da tendência em si, vamos ver se não estamos fazendo uma ou outra jogada errada, seja interpretado de forma equivocada um adversário, seja com um range desajustado na hora de aplicar um pré flop raise ou um c-bet por exemplo. Algumas coisas vão ser relativamente simples, como aquele K3o que abrimos de posições iniciais e não deveríamos e assim que batermos o olho na review vamos identificar o erro. Outras serão mais complexas e precisaremos de ajuda de outras pessoas, seja um grupo de estudo ou um coaching particular. Estar ao lado de pessoas mais experientes é mais que fundamental. Outra parte pouco abordada no auto estudo é conhecer os próprios limites, é algo mais psicológico, mas entra no controle de tilt, saber aquilo que nos tira da zona de conforto e outras limitações, como se aguentamos uma rotina de grind de longas horas no caso dos torneios, o que vai influenciar nos jogos que escolhemos, se realmente estamos aptos para a maratona dos torneios ou se o melhor para nós são as sessions menores dos SnGs ou a opção de parar a qualquer momento no caso dos cash games.

Esses são alguns pontos e falando assim até parece fácil, não é? A realidade é que existe tanta coisa que o simples se torna muito complexo, e os estudos precisam ser constantes para evoluirmos. Ainda na área dos estudos tem muita coisa que vamos abordar, aqui foram os exemplos sobre o que estudar e em breve vamos fazer um texto sobre “Como estudar”.

Vejo vocês em breve!

Abraços,
Ban

Progressive Super Knockout, a nova mina de ouro!

(Texto publicado no blog oficial do Pokerstars 16/04/2015, original)

Vamos lá falar dos nossos torneios do dia a dia, que registramos em busca da cravada.Recentemente venho notado que a quantidade de torneios com Progressive Super Knockout só vem aumentando na grade e junto com isso temos que fazer várias adaptações, teremos muitos deles no decorrer do dia e são uma mina de ouro!

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Ivan “Ban” Martins (Akkari Team)

Antigamente só existia os torneios com KO normal e o field desses torneios já eram maiores que o normal, os regulares sempre estão lá e os jogadores recreativos gostam por causa da dinâmica e pelo simples fato de eliminar já pingar um $$ no caixa, depois de um tempo surgiram os Super KO que metade do buyin vai para KO, dois KO”s e já estava freerollando o torneio, não podia ser ruim não é ?!

Mas a explosão do field veio mesmo com os Progressive Super KO… Metade do buyin em KO mas com uma diferença, desse KO metade vem para a gente e a outra metade acumula na nossa cabeça ou dos adversários. E conforme o torneio vai andando, os KO’s vão crescendo cada vez mais, muitas vezes ficando maiores que o próprio ITM.

Essa dinâmica de KO’s gigantescos na cabeça obviamente atrai muito mais jogadores que estão lá por diversão, todos os regulares participam e ainda gostam por causa das estratégias envolvidas e do field astronômico. Cria-se muito mais “level” entre os jogadores e muitas vezes uma mão que seria um fold tranquilo em uma estrutura normal, graças ao KO vira uma corrida (para não falar gamble) honesta. Separei alguns pontos interessantes sobre essa dinâmica e “level”:

– Os Short Stacks em um torneio normal são praticamente menosprezados, a eliminação deles não significa muita coisa. Às vezes tem 200, 300 jogadores ainda vivos e não vai mudar em nada eliminá-lo ou não no torneio. Com os Ko’s altos isso muda, eliminá-lo significa puxar um bounty bom e já puxar algum dinheiro para o bankroll, dependendo da fase do torneio muito maior que o próprio buyin e faixa de premiação. Vira uma verdadeira caçada ao short, quem tem um stack maior quer eliminá-lo e quem é o alvo, sabe que vai ser pago muito mais vezes.

– Com isso os Ranges mudam, em um torneio normal os ranges são muito mais definidos, por vezes muito mais tights, com a dinâmica do short stack as pessoas vão pagar com mãos muito mais marginais, o leque de mãos – o famoso range – fica beeem maior. Já para quem é short stack da parada isso se torna na maioria das vezes um verdadeiro problema, por que aquele range que ele iria all in tem que ficar mais curto já que vai ser pago com uma frequência maior, a fold equity que ele tem ao ir All In baixa e muito. Se em um torneio, principalmente nos turbos, é bom ir all in com mãos marginais para roubar os blinds, aqui será um verdadeiro problema.

– Com a presença dos Short Stacks e os Ranges diferentes, cria-se na mesa uma nova dinâmica. O Short estando nos blinds as pessoas vão para cima mais vezes esperando um re-steal. Quando o short vai all in, e é pago por um jogador, a primeira coisa que passa pela mente dos outros é que o range desse que pagou é enorme e que ele pode só estar interessado no KO e não necessariamente tem uma mão de equidade boa. Para quem esta prestando atenção na mesa e conhece essa dinâmica acaba se criando um level, vai haver mais 3bets, mais squeezes, a tentativa de se isolar contra o short mesmo com um pagando será maior. Com o level entre os jogadores mais acirrado, o jogo se torna muito mais agressivo, muito mais dinâmico, raramente vamos encontrar uma mesa passiva e com pessoas deixando os shoves do short passar.

A tendência é que cada vez mais no Lobby do PokerStars tenhamos torneios com Progressive Super KO, se atentar a esses fatos que citei é só o primeiro passo para ser mais lucrativo nesse tipo de torneio. É claro que com isso vão vir muitas adaptações em nossos ranges e como vamos explorar um determinado spot. E quanto mais rápido nos adaptarmos a essa nova tendência, mais lucrativo seremos! E felizmente os Progressive Super KO não estão somente nos MTT”s, já tem formatos para os grinders de SnG’s como os 90 jogadores turbo, de $5 e de $11.

Nos vemos nas mesas!

Abraços,
Ban